sexta-feira, janeiro 31, 2003

Fome, Sociedade e Cidadania

O governo Lula lançou o programa Fome Zero em meio a muita controvérsia. E sem dúvida há o que se falar. A maioria das críticas ao programa recaem sobre a forma. Dar dinheiro e cobrar satisfação de como ele está sendo gasto de quem recebe são os pontos centrais.

O governo quer saber se os beneficiados gastarão o dinheiro recebido com comida. Acho que é uma vigília desnecessária e cara. Se querem acabar com a fome, por que não dão a comida? Será que é tão mais complicado do que fiscalizar o que farão com o dinheiro? Talvez sim, talvez não. Mas uma coisa é certa. Se há gente com fome como dizem e como a realidade mostra, parece-me pouco provável que os famintos se utilizarão do dinheiro para uma farra. Talvez uns e outros usem façam algum desvio, mas acho que a maioria fará o uso esperado. Entre estas e outras questões não resolvidas, o governo é acusado de amador.

Mas acho que o ponto mais contundente está na ação em sí, cujo resultado espera-se acabar com a fome. Dar dinheiro, seja em espécie ou cartão ou cupom é assistencialismo. Mas sejamos sensatos. Assistencialismo deve ser, vez ou outra, uma ação que o estado deve ter. E abrir mão dela neste momento é fazer nada em relação ao problema. Como disse o presidente Lula em seu discurso “agora é preciso dar o peixe e ensinar a pescar”. Ou seja, o que se espera do resto do programa é que não fique só no “dar o peixe”. Os que estão envolvidos no programa mais a sociedade como um todo devem estar atentos aos desdobramentos disso tudo e evitar que este programa seja uma forma ampliada do que já fazem muitos políticos com parte seu eleitorado quando dão pão e circo em troca de votos. E sabemos que isso não acontece só no nordeste.

Não nos enganemos. Qualquer ação vinda de um político tem um pouco de demagogia, de assistencialismo, de propaganda, e possui margem a toda a sorte de falcatruas e corrupção. Mas o senso crítico sobre a cultura, principalmente brasileira, sugere que identifiquemos que tais opiniões sobre as ações dos políticos estão muito no discurso de quem não tem nada a ganhar com elas. Os famintos não participam dessa discussão, sequer têm opinião sobre. Eles têm fome.

Não acredito que haja algum cidadão decente que seja contra acabar com a fome, mas ser apenas positivo com a iniciativa do novo governo diz pouca coisa. O cidadão deve continuar criticando tudo aquilo que é suspeito e gratuito, mas deve também, sobretudo para se situar em sociedade com cidadania, evitar a exclusão, a desigualdade acentuada, o preconceito e os gestos públicos adornados com um cetim humanitário.

Programas como o Fome Zero estarão sempre por aí enquanto o deplorável habitar a mente e os corações dos seres humanos.

PC Maia
São Paulo, Brasil
30 de Janeiro de 2003

Caso queira comentar, criticar, sugerir, corrigir, envie-me um e-mail: paulocmaia@hotmail.com

Hungriness, Society and Citizenship

The government of Lula has launched the Fome Zero program within a lot of controversy. And there’s a lot of talk indeed. Most of the critics about the program fall over its way of deploy. Giving money to someone and ask him account for it are the central point of the discussion.

The government wants to know if people beneficed by the program will really spend the given money with food. I think it is an unnecessary and expensive monitoring way. If they want to make hungriness ending up why they don’t provide food? Is it more complicated instead of asking for money accountability? Maybe yes, maybe not. But one thing is for sure. If there are hungry people as they say and real life have been showing us, it seems little likely that this people are going to use the money for theirs party. Perhaps some misdemeanor will happen but the main goal will be reached out. Some of these questions about the program are not properly defined yet and that’s why government has been called as amateur.

But I think the most important issue lies on the action itself, which result expected is to have the hungriness ended up. Giving money, whether in cash or coupons is governs minor assistance act. But let’s be reasonable. Government assistance whether is minor or not, it must be sometimes an action that the state must perform depends on the circumstances. And not to do that is doing nothing regarding the starvation problem. As the president Lula said in his speech it’s time to give people the fish and teach them how to fish. It means that the actions expected from the rest of the program are more than giving a fish to people. Everyone involved in the program plus all citizens in the society must be watchful whatever is going to happen and avoid the program become only a way of trading bread and circus by votes. And we know that this happen not only in the northeast Brazilian region.

We make no mistakes. Any action that came from a politician has a little bit of demagogy, a little bit of a minor assistance policy, a little of bit propaganda and corruption suspicious. But our sense about culture especially over Brazilian’s reminds we should identify that opinions over politicians acts are more in the speech of those who there’s nothing to lose with them. The people who are hungry do not participate of the starvation forum. They don’t even have something to say. They are starving.

I don’t believe there’s anybody decent against ending up hungriness. But to be aware or positive with the taken actions about it is not enough. Citizens must continue criticizing everything considered suspicious or gratuitous but also need to be avoiding citizenship exclusion and marked inequality and prejudice and all public gestures with humanitarian silk ornaments.

Politic programs like Fome Zero always will be around while things deplorable are resting in minds and hearts of the human being.

PC Maia
São Paulo, Brazil

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quarta-feira, janeiro 29, 2003

A Tecnologia para além do bem e do mal

Um dos maiores embates do ser humano continua sendo sua relação com a tecnologia. Ao entrar em cena, ela provoca reações que vão desde sua completa rejeição sob os mais conservadores e naturalistas argumentos até os mais auspiciosos e futuristas que frequentemente encontram-se nos sonhos daqueles que vêem nela a redenção humana num elo que nos liga harmoniosamente com o que de resto existe. O caderno Sinapse do jornal Folha de S. Paulo publicou ontem uma matéria em que "adversários da tecnologia defendem que internet, TV e celular são perda de tempo", que na verdade temos muito mais coisas a fazer e, consequentemente aprender, do que nos entregar à falsa conquista humana que tais tecnologias parecem oferecer. A matéria é prudente na medida em que ressalta a opinião dos que não concordam com os "adversários", de forma a contrapor posições e desencadear um debate.

A dicotomia na qual residem os argumentos já é a conhecida do senso comum: alienação e informação; escravização e liberdade; diminuição das relações humanas versus identificação com o mundo moderno; desinteresse pelas formas clássicas de educação e seu uso indiscriminado ou não cadenciado contra a tradição, etc. E assim vai. O assunto é farto e permite vôos rasantes e altivos que munem qualquer debate contra a monotonia. Mas tão desinteressante quanto inútil. Considerando que a tecnologia e seu desenvolvimento fazem parte da própria natureza humana (o homem no seu instinto mais básico de sobrevivência se vê compelido a transformar o meio para fazer dele algo habitável e seguro), utilizar-se da inteligência e então suplantar a dificuldade em algo que o satisfaça, demonstra que mais à frente vem o desejo de se harmonizar o meio às necessidades próprias do homem. Desejo este que ao longo dos anos se transformou num complexo que vai desde matar a sede e a fome (não se esquecendo do inimigo aparente) até satisfazer prazeres nobres e mundanos.

Tenho a impressão de que muito mais instigante do que debater sobre os supostos benefícios ou malefícios que a tecnologia proporciona (e a lista é grande, tanto de um lado como de outro), é pensar na própria peculiaridade dela em si que se revela com a pergunta que se faz de sua utilidade. Hoje, quando não se encontra uma resposta a isto, fabrica-se, pois o invento nem sempre pode ser desperdiçado (e fabricar uma resposta é um traço da tecnologia). Enfim, o invento representa tudo aquilo que há na natureza humana que vai da imaginação à transformação em objeto real. E não raro chega a superar o próprio autor cuja vaidade pede para ser satisfeita quase mesmo antes de se reconhecer o que resulta do próprio invento.

Com o conhecimento humano produzido até hoje, pensar a tecnologia para além do bem e do mal não deve ser uma opção, mas sim um caminho para poder identificar seu papel no atual estágio da civilização, que mesmo de posse de todas as técnicas mais potentes e supostamente infalíveis, demonstra-se ainda incapaz de produzir respostas para questões que se encontram tão cruas como na época em que fabricar machados de pedras lascadas tinham o propósito quase único da caça para matar a fome.

PC Maia
São Paulo, Brasil

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Technology beyond good and evil

One of the greatest human being concerns lies on how people deal with technology in general. Once created to be used by man, technology start reactions that go since its totally disapproval under conservative and naturalists arguments until auspicious and futurists statements that often meet dreams of those who see technology as human redemption connected in a link that embrace us harmoniously with the rest of everything. The Sinapse brochure issued by The Folha de S. Paulo newspaper came out yesterday with an article which says that some non-sympathizers by technology stands that internet, TV and mobile telephone are waste of time. They also say that we have much more indeed to do to and learn instead of believing in what all of this devices represent in terms of human conquest. In order to start a debate the article also brings opinion of those who understand technology as something beneficial to everyone.

The dichotomy in which arguments flows is known by the common sense: alienation and information; slavery and freedom; less importance of human relations versus to be identified with a modern world; unconcern to the classic standards of education and indiscriminate application of the technology against social tradition and so on. The wide subject allows deeply or flat debate against any boredom. But it might also becomes so uninteresting as useless. Considering technology itself and its development as well as part of the human nature (man is conduced by his instinct of survival to transform the environment in a safety and habitable place), by using man’s intelligence to supersede his difficulties in something that satisfies his objectives come to show us that the man’s desire of harmonizing environment into his needs as such as not to be thirsty and to make noble or mundane pleasures satisfied (do not forget killing enemies as well).

I think the debate over possible benefits or harmful from using technology (there’s a huge list for each side) it might be more instigate if we think about technology peculiarity itself that revels when we ask about its utility nowadays. When there’s no answer coming up we decide to create one. After all, the invention not even always can be lost (and to create an answer is a technology trace). Finally, the invention represents everything that is in human nature and it goes from picturing something else to its reality transformation. Many times invention could overcome the inventor himself which his/her vanity ask for satisfaction almost prior invention recognition.

Under the human knowledge reached out until now, to think in technology matters beyond good and evil should not be an option but a path in order to identify which role technology must perform in this stage of civilization. Even having all available techniques so-called powerful or flawless, civilization is still not prepare to create answers to questions that still remain raw like the time when to build handmade axes with sliver stones on top had the purpose almost unique to hunt animals for starvation.

PC Maia
São Paulo, Brazil

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terça-feira, janeiro 28, 2003

Olá, você!

Meu nome é PC Maia e minha intenção aqui será a de publicar pontos de vista sobre o mundo e a forma como nos relacionamos com ele. Não apenas minhas idéias estarão aqui mas tentarei captar as de outras pessoas e lançá-las como uma pedra num lago e ver o que acontece. Como crônicas do comportamento humano tentarei mesmo expressá-las de uma forma desequilibrada para expô-las ou desvelar nosso caminho por este processo ora chamado de civilização. É por isso que chamo esta coluna blog de "Human Unbalanced" (podemos traduzir como "humano desequilibrado").
Mas não se preocupe, não quero mudar o mundo. Acho que estou muito longe desta ultrajante ambição. Me considero um sonhador, um pensador livre sem limites a respeitar. Espero que gostem!

PC Maia

Hello You!

My name is PC Maia and my intention is to publish a sort of point of view about our world and how we related to it Not only my statements will be printed here but I'll try to catch anybody else opinion and launch it like a stone to a lake and see what happens. Like chronicles of human behavior I'll try hard to express them in a way of an unbalanced point-of-view to expose or unfold our track in this process of a so-called civilization. That's way I'm calling this room as "Human Unbalanced".
Don't worry. I'm not trying to change the world. I think I'm far way of this outrage expectation. I think myself as a daydreamer, a freethinker who have no bounderies to respect. Hope you enjoy it!

PC Maia