Fome, Sociedade e Cidadania
O governo Lula lançou o programa Fome Zero em meio a muita controvérsia. E sem dúvida há o que se falar. A maioria das críticas ao programa recaem sobre a forma. Dar dinheiro e cobrar satisfação de como ele está sendo gasto de quem recebe são os pontos centrais.
O governo quer saber se os beneficiados gastarão o dinheiro recebido com comida. Acho que é uma vigília desnecessária e cara. Se querem acabar com a fome, por que não dão a comida? Será que é tão mais complicado do que fiscalizar o que farão com o dinheiro? Talvez sim, talvez não. Mas uma coisa é certa. Se há gente com fome como dizem e como a realidade mostra, parece-me pouco provável que os famintos se utilizarão do dinheiro para uma farra. Talvez uns e outros usem façam algum desvio, mas acho que a maioria fará o uso esperado. Entre estas e outras questões não resolvidas, o governo é acusado de amador.
Mas acho que o ponto mais contundente está na ação em sí, cujo resultado espera-se acabar com a fome. Dar dinheiro, seja em espécie ou cartão ou cupom é assistencialismo. Mas sejamos sensatos. Assistencialismo deve ser, vez ou outra, uma ação que o estado deve ter. E abrir mão dela neste momento é fazer nada em relação ao problema. Como disse o presidente Lula em seu discurso “agora é preciso dar o peixe e ensinar a pescar”. Ou seja, o que se espera do resto do programa é que não fique só no “dar o peixe”. Os que estão envolvidos no programa mais a sociedade como um todo devem estar atentos aos desdobramentos disso tudo e evitar que este programa seja uma forma ampliada do que já fazem muitos políticos com parte seu eleitorado quando dão pão e circo em troca de votos. E sabemos que isso não acontece só no nordeste.
Não nos enganemos. Qualquer ação vinda de um político tem um pouco de demagogia, de assistencialismo, de propaganda, e possui margem a toda a sorte de falcatruas e corrupção. Mas o senso crítico sobre a cultura, principalmente brasileira, sugere que identifiquemos que tais opiniões sobre as ações dos políticos estão muito no discurso de quem não tem nada a ganhar com elas. Os famintos não participam dessa discussão, sequer têm opinião sobre. Eles têm fome.
Não acredito que haja algum cidadão decente que seja contra acabar com a fome, mas ser apenas positivo com a iniciativa do novo governo diz pouca coisa. O cidadão deve continuar criticando tudo aquilo que é suspeito e gratuito, mas deve também, sobretudo para se situar em sociedade com cidadania, evitar a exclusão, a desigualdade acentuada, o preconceito e os gestos públicos adornados com um cetim humanitário.
Programas como o Fome Zero estarão sempre por aí enquanto o deplorável habitar a mente e os corações dos seres humanos.
PC Maia
São Paulo, Brasil
30 de Janeiro de 2003
Caso queira comentar, criticar, sugerir, corrigir, envie-me um e-mail: paulocmaia@hotmail.com
Hungriness, Society and Citizenship
The government of Lula has launched the Fome Zero program within a lot of controversy. And there’s a lot of talk indeed. Most of the critics about the program fall over its way of deploy. Giving money to someone and ask him account for it are the central point of the discussion.
The government wants to know if people beneficed by the program will really spend the given money with food. I think it is an unnecessary and expensive monitoring way. If they want to make hungriness ending up why they don’t provide food? Is it more complicated instead of asking for money accountability? Maybe yes, maybe not. But one thing is for sure. If there are hungry people as they say and real life have been showing us, it seems little likely that this people are going to use the money for theirs party. Perhaps some misdemeanor will happen but the main goal will be reached out. Some of these questions about the program are not properly defined yet and that’s why government has been called as amateur.
But I think the most important issue lies on the action itself, which result expected is to have the hungriness ended up. Giving money, whether in cash or coupons is governs minor assistance act. But let’s be reasonable. Government assistance whether is minor or not, it must be sometimes an action that the state must perform depends on the circumstances. And not to do that is doing nothing regarding the starvation problem. As the president Lula said in his speech it’s time to give people the fish and teach them how to fish. It means that the actions expected from the rest of the program are more than giving a fish to people. Everyone involved in the program plus all citizens in the society must be watchful whatever is going to happen and avoid the program become only a way of trading bread and circus by votes. And we know that this happen not only in the northeast Brazilian region.
We make no mistakes. Any action that came from a politician has a little bit of demagogy, a little bit of a minor assistance policy, a little of bit propaganda and corruption suspicious. But our sense about culture especially over Brazilian’s reminds we should identify that opinions over politicians acts are more in the speech of those who there’s nothing to lose with them. The people who are hungry do not participate of the starvation forum. They don’t even have something to say. They are starving.
I don’t believe there’s anybody decent against ending up hungriness. But to be aware or positive with the taken actions about it is not enough. Citizens must continue criticizing everything considered suspicious or gratuitous but also need to be avoiding citizenship exclusion and marked inequality and prejudice and all public gestures with humanitarian silk ornaments.
Politic programs like Fome Zero always will be around while things deplorable are resting in minds and hearts of the human being.
PC Maia
São Paulo, Brazil
Would you like to comment? mailto: paulocmaia@hotmail.com
O governo Lula lançou o programa Fome Zero em meio a muita controvérsia. E sem dúvida há o que se falar. A maioria das críticas ao programa recaem sobre a forma. Dar dinheiro e cobrar satisfação de como ele está sendo gasto de quem recebe são os pontos centrais.
O governo quer saber se os beneficiados gastarão o dinheiro recebido com comida. Acho que é uma vigília desnecessária e cara. Se querem acabar com a fome, por que não dão a comida? Será que é tão mais complicado do que fiscalizar o que farão com o dinheiro? Talvez sim, talvez não. Mas uma coisa é certa. Se há gente com fome como dizem e como a realidade mostra, parece-me pouco provável que os famintos se utilizarão do dinheiro para uma farra. Talvez uns e outros usem façam algum desvio, mas acho que a maioria fará o uso esperado. Entre estas e outras questões não resolvidas, o governo é acusado de amador.
Mas acho que o ponto mais contundente está na ação em sí, cujo resultado espera-se acabar com a fome. Dar dinheiro, seja em espécie ou cartão ou cupom é assistencialismo. Mas sejamos sensatos. Assistencialismo deve ser, vez ou outra, uma ação que o estado deve ter. E abrir mão dela neste momento é fazer nada em relação ao problema. Como disse o presidente Lula em seu discurso “agora é preciso dar o peixe e ensinar a pescar”. Ou seja, o que se espera do resto do programa é que não fique só no “dar o peixe”. Os que estão envolvidos no programa mais a sociedade como um todo devem estar atentos aos desdobramentos disso tudo e evitar que este programa seja uma forma ampliada do que já fazem muitos políticos com parte seu eleitorado quando dão pão e circo em troca de votos. E sabemos que isso não acontece só no nordeste.
Não nos enganemos. Qualquer ação vinda de um político tem um pouco de demagogia, de assistencialismo, de propaganda, e possui margem a toda a sorte de falcatruas e corrupção. Mas o senso crítico sobre a cultura, principalmente brasileira, sugere que identifiquemos que tais opiniões sobre as ações dos políticos estão muito no discurso de quem não tem nada a ganhar com elas. Os famintos não participam dessa discussão, sequer têm opinião sobre. Eles têm fome.
Não acredito que haja algum cidadão decente que seja contra acabar com a fome, mas ser apenas positivo com a iniciativa do novo governo diz pouca coisa. O cidadão deve continuar criticando tudo aquilo que é suspeito e gratuito, mas deve também, sobretudo para se situar em sociedade com cidadania, evitar a exclusão, a desigualdade acentuada, o preconceito e os gestos públicos adornados com um cetim humanitário.
Programas como o Fome Zero estarão sempre por aí enquanto o deplorável habitar a mente e os corações dos seres humanos.
PC Maia
São Paulo, Brasil
30 de Janeiro de 2003
Caso queira comentar, criticar, sugerir, corrigir, envie-me um e-mail: paulocmaia@hotmail.com
Hungriness, Society and Citizenship
The government of Lula has launched the Fome Zero program within a lot of controversy. And there’s a lot of talk indeed. Most of the critics about the program fall over its way of deploy. Giving money to someone and ask him account for it are the central point of the discussion.
The government wants to know if people beneficed by the program will really spend the given money with food. I think it is an unnecessary and expensive monitoring way. If they want to make hungriness ending up why they don’t provide food? Is it more complicated instead of asking for money accountability? Maybe yes, maybe not. But one thing is for sure. If there are hungry people as they say and real life have been showing us, it seems little likely that this people are going to use the money for theirs party. Perhaps some misdemeanor will happen but the main goal will be reached out. Some of these questions about the program are not properly defined yet and that’s why government has been called as amateur.
But I think the most important issue lies on the action itself, which result expected is to have the hungriness ended up. Giving money, whether in cash or coupons is governs minor assistance act. But let’s be reasonable. Government assistance whether is minor or not, it must be sometimes an action that the state must perform depends on the circumstances. And not to do that is doing nothing regarding the starvation problem. As the president Lula said in his speech it’s time to give people the fish and teach them how to fish. It means that the actions expected from the rest of the program are more than giving a fish to people. Everyone involved in the program plus all citizens in the society must be watchful whatever is going to happen and avoid the program become only a way of trading bread and circus by votes. And we know that this happen not only in the northeast Brazilian region.
We make no mistakes. Any action that came from a politician has a little bit of demagogy, a little bit of a minor assistance policy, a little of bit propaganda and corruption suspicious. But our sense about culture especially over Brazilian’s reminds we should identify that opinions over politicians acts are more in the speech of those who there’s nothing to lose with them. The people who are hungry do not participate of the starvation forum. They don’t even have something to say. They are starving.
I don’t believe there’s anybody decent against ending up hungriness. But to be aware or positive with the taken actions about it is not enough. Citizens must continue criticizing everything considered suspicious or gratuitous but also need to be avoiding citizenship exclusion and marked inequality and prejudice and all public gestures with humanitarian silk ornaments.
Politic programs like Fome Zero always will be around while things deplorable are resting in minds and hearts of the human being.
PC Maia
São Paulo, Brazil
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